
A saúde bucal pode ser definida como o estado de normalidade e eficiência dos dentes e tecidos adjacentes, incluindo a cavidade bucal e os tecidos circundantes, além de todo complexo maxilo-facial relacionado à função mastigatória (Chaves, 1988). Parte integrante da saúde geral do indivíduo, a saúde bucal está relacionada com as condições sociais e econômicas, com o tipo de alimentação, ao acesso à água tratada, aos serviços de saúde e às informações. (Pereira et al., 2003; Bastos et al., 2001).
A gravidez é um momento em que a saúde e o bem estar da mãe estão diretamente ligados à saúde de seu filho. Neste momento, a mulher é particularmente receptiva as orientações de saúde que irão auxiliá-la na criação de seu bebê. A atenção à saúde bucal da gestante deve estar incluída na assistência pré-natal e sua importância deve ser reconhecida pela equipe multiprofissional que a atende, através de um acompanhamento integrado e seqüencial nos vários níveis de atenção (Papalleo Neto, 2002; Pereira et al., 2003).
A promoção de saúde bucal faz parte da construção de políticas públicas saudáveis voltadas para a comunidade, como a fluoretação das águas de abastecimento e os cuidados odontológicos básicos (MS, 2004). O objetivo destas ações é reduzir os fatores de risco à saúde das pessoas, além de oferecer informações sobre sua proteção. A inserção da saúde bucal na atenção à gestante reconhece as especificidades desta condição da mulher e reconhece que a mãe tem particular influência sobre os hábitos apreendidos pela criança.
Sendo assim, as ações educativo-preventivas devem ser iniciadas simultaneamente ao atendimento Pré-Natal , sendo recomendado pelo Ministério da Saúde o encaminhamento de toda gestante para uma consulta odontológica, que deve incluir, (MS, 2004):
a) orientação sobre a possibilidade de atendimento durante a gestação;
b) exame dos tecidos moles e identificação de risco à saúde bucal;
c) diagnóstico de lesões de cárie e necessidade de tratamento curativo;
d) diagnóstico da gengivite ou doença periodontal crônica e necessidade de tratamento;
e) orientações sobre hábitos alimentares (ingestão de açúcares) e higiene bucal;
f) em nenhuma hipótese a assistência será compulsória, respeitando-se sempre a vontade gestante.
Existem ainda muitas lendas em torno da saúde bucal durante a gestação. Os mitos populares falam da perda dentária de um dente a cada gravidez ou ainda que os dentes da grávida ficam mais fracos porque o bebê retira dos dentes o cálcio de que necessita. Muitos dentistas preferem não atender gestantes temendo que o anestésico utilizado possa causar abortamento e os médicos preferem aguardar o final da gravidez para encaminhar a gestante ao tratamento odontológico. A maioria destas crenças não possui suporte científico e só colaboram para o afastamento das gestantes dos consultórios dentários (Costa, Saliba, Moreira;2002).
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